Thiago Soares da Rocha

O CORDEIRO DE DEUS E A DOUTRINA DO PECADO
10 Ago 2009 - 17:49:46
Quando pensamos em Deus temos que acreditar como Ele é. Não entendemos perfeitamente o porque que Ele é assim. Ele é assim. Deus é o Criador, Ele criou e sustenta todo o universo. Se manifestou e continua se manifestando a nós até que na eternidade possamos ver tal qual Ele é. Como que de surpresa vemos o pecado entrando e tentando estragar os planos de Deus. Alastrando para todos os homens a situação fica calamitosa. Bushnell vê o pecado como um tipo de doença, da qual precisamos ser curados. Precisamos de um antídoto para tirar não somente a doença, mas seus efeitos que nos traz grandes sofrimentos. Ao falar de cura, nos lembramos que é do próprio veneno que se extrai o antídoto. É da própria cobra que tiramos a salvação para sua picada. Foi através do pecado, que fomos curados. O mundo estava em trevas. Longe do Deus da vida e nas garras da maldição. Para o ser humano escapar da grande sentença, a dívida deveria ser paga, pela mesma raça que o ofendeu, o traiu. Mas Deus não tinha apenas que pagar a dívida humana, mas também mostrar seu grande amor. O homem precisava conhecer o máximo de Deus. O que Deus poderia fazer pelo homem?             
A DOUTRINA DO PECADO E O CORDEIRO DE DEUS
1.    A Doutrina do Pecado
a)    DefiniçãoPara falarmos da doutrina do pecado precisamos primeiro definir o verdadeiro conceito da palavra. É muito importante que tenhamos uma compreensão adequada do pecado. Muitos erros modernos a respeito da salvação não podem ser sustentados por aqueles que pensam logicamente, se tiverem uma concepção apropriada do pecado.  O pecado é reconhecido por ser uma inclinação interior, uma rebelião e desobediência a Deus. Não é obra do acaso, debilidade, ausência do bem. O pecado é não desobrigar-se, destituir-se, omitir-se dos deveres para com Deus. É ter um declínio espiritual. É uma atitude errada dos desígnios insensatos, da prática do orgulho, da murmuração e da blasfêmia contra o Espírito de Deus. É a ação errônea a Deus, condescência duvidosa, rebeldia, desobediência e transgressão. Ação errônea aos homens, favoritismo, injustiça e desprezo. É ainda ação errônea a Jesus quando há incredulidade. É a tendência natural do erro. O pecado é uma coisa com cabeça de hidra. Ele apresenta diferentes fases. Logo, seu possível tratamento deve afetar também as respectivas áreas:
O PECADO COMO UM ATO - Em 1 João 3:4 (ir contrário à Lei de Deus).
O PECADO COMO UM ESTADO – Aqui os pecados são expressões dos nossos seres interiores. A pecaminosidade íntima, então, deve preceder os atos manifestos do pecado. As seguintes provas escrituristicas mostram não só que o homem é pecaminoso na conduta como que ele existe num estado pecaminoso – uma falta de conformidade com Deus na mente e no coração:
(1) As palavras hebraica e grega traduzidas por "pecado" aplicam-se tanto a disposições e estados como a atos.
(2) O pecado tanto pode consistir de omissão em fazer a coisa justa como de comissão em fazer a coisa errada."Ao que se sabe fazer o bem e o não faz, ao tal é pecado" (Tiago 4:17).
(3) O mal se atribui a pensamentos e afetos. Gênesis 6:5; Jeremias 17:9; Mateus 5:22,26; Hebreus 3:12.
(4) O estado da alma que dá expansão a atos manifestos de pecados é chamado pecado, expressamente. Romanos 7:8,11,13,14,17,20.
(5) Alude-se ao pecado como um princípio reinante na vida. Romanos 6:21.
O PECADO COMO UM PRINCÍPIO - É recusar fazer a vontade dEle que tem todo o direito de exigir obediência de nós.
O PECADO EM ESSÊNCIA - "Podemos seguir o Dr. E. G. Robinson em dizer que, enquanto o pecado como um estado é dessemelhança de Deus, como um princípio é oposição a Deus e como um ato é transgressão da Lei de Deus, sua essência é sempre e em toda a parte egoísmo" (Strong, Systematic Theology, pág. 295). Vemos, então, que o pecado não é meramente um resultado do desenvolvimento imperfeito do homem: é uma perversidade da vontade e da disposição. O homem nunca a sobrepujará enquanto ele estiver na carne. A regeneração põe um entrave sobre ela, mas não a destrói. Nem o pecado é mero resultado da união do Espírito com o corpo: o espírito mesmo é pecaminoso e seria apenas tão pecaminoso fora do corpo como no corpo se deixado no seu estado natural. Satanás não tem corpo e contudo é supremamente pecaminoso. Nem o pecado é mera finitude. Os anjos eleitos no céu são finitos e contudo estão sem pecado. Os santos glorificados ainda serão finitos e no entanto não terão pecado.Pecado é uma incapacidade espiritual que causa o cumprimento incompleto dos padrões de Deus que na prática é desalojar Deus. Erickson aborda profundamente a doutrina:“Pecado é qualquer falta de conformidade, ativa ou passiva, com a Lei Moral de Deus. Isso pode ser uma questão de ato, de pensamento ou de disposição”.O pecado é universal quanto sua extensão, ou seja, se estende a todos os seres humanos afetando até mesmo a natureza, vegetais e animais. É ainda disposição quanto a intensidade, pois corrói todo homem. Sua depravação é total. Sua natureza, feita a imagem e semelhança de Deus, é danificada por completa. O pecado, em suma, atinge todo homem do homem todo. Por isso que todos pecaram, todos são culpados, são filhos da ira, todos estão completamente afastados, corruptos, escravizados, se identificam com o adversário, tem seus corpos debilitados e aviltados no caráter.
·         A depravação é um assunto muito mal entendido. Por essa razão precisamos de entender que a depravação total não quer dizer:
(1) Que o homem por natureza está inteiramente privado de consciência. Até mesmo o pagão tem consciência. Romanos 2:15.
(2) Que o homem por natureza está destituído de todas aquelas qualidades que são louváveis segundo os padrões humanos. Jesus reconheceu a presença de tais qualidades num certo homem rico (Marcos 10:21).
(3) Que todo homem está disposto por natureza para toda forma de pecado. Isto é impossível, porquanto algumas formas de pecado excluem outras. "O pecado de sumiticaria pode excluir o pecado de ostentação; o de orgulho pode excluir o de sensualidade" (Strong).
(4) Que os homens são por natureza incapazes de se comprometer em atos que são extremamente conformes com a Lei de Deus. Romanos 2:14.
(5) Que os homens são tão corruptos como podiam ser. Eles podem piorar e pioram. 2 Timóteo 3:13. Esta depravação total não quer dizer que a depravação é total no seu grau. Ela tem que ver com a extensão somente.
·         A depravação total quer dizer que o pecado permeou cada faculdade do ser humano assim como uma gota de veneno permeia cada molécula de um corpo de água. O pecado urdiu cada faculdade no homem e assim ele polui todo ato seu.
(1) Prova de depravação total.
A. O homem está depravado na Mente. Gênesis 6:5.
B. No coração. Jeremias 17:9.
C. Nos afetos, de maneira que o homem é oposto a Deus. João 3:19; Romanos 8:7.
D. Na consciência. Tito 1:15; Hebreus 10:22.
E. Na palavra. Salmos 58:3; Jeremias 8:6; Romanos 3:13.
F. Depravado da cabeça aos pés. Salmos 1:5,6; Isaías 1:6.
G. Depravado ao nascer. Salmos 51:5; 58:3.
(2) O efeito da depravação total.
A. Nenhum resquício de Bem Fica no Homem por Natureza. Romanos 7:18.
B. Portanto, o Homem, por Natureza, não pode sujeitar-se à Lei de Deus ou Agradar a Deus. Romanos 8:7,8.
C. O homem, por Natureza, está Espiritualmente Morto. Romanos 5:12; Colossenses 2:16; 1 João 3:14.
D. Logo, Ele não pode Compreender as Coisas Espirituais. 1 Coríntios 2:14.
E. Daí, Ele não pode, até que se vivifique pelo Espírito de Deus, voltar do Pecado a Deus em Piedoso Arrependimento e Fé. Jeremias 13:23; João 6:44,65; 12:39,40. A base da depravação e da inabilidade espiritual jaz no coração. Ele é enganoso e irremediavelmente perverso (Jeremias 17:9). Do coração vêem as saídas da vida (Provérbios 4:23). Ninguém pode tirar uma coisa limpa de uma contaminada (Jó 14:4). Daí, nem a santidade nem a fé podem proceder do coração natural. As boas coisas procedem de um bom coração e as más de um coração mau (Mateus 7:17,18; Lucas 6:45). 
b)    OrigemOnde começou a pecado? Esta é a questão. Onde nós pecamos? Qual a origem do pecado? Sabemos que Adão foi tentado, ou seja, o pecado veio de fora. Quem tentou Adão foi o diabo. Quem tentou o diabo? Seria a pergunta. O pecado então começou no céu? De maneira nenhuma! O pecado começou em Lúcifer. Ele escolheu pecar. Deus o expulsou do céu e este veio tentar atrapalhar os planos de Deus para com o homem. Logo, o que nos interessa é quando o homem pecou? A origem do pecado é muito discutida entre os teólogos. Para Pelágio os homens foram criados livres das influências que governam o Universo, livres da queda e do determinismo, reconhecia a queda de Adão apenas como exemplo no qual podemos tirar lições para os tempos modernos. Neste pensamento a universalidade do pecado cai por terra, pois o homem poderia, se decidir assim, viver sem pecado.Armínio acredita que recebemos de Adão a natureza corrupta sim. Os seres humanos são incapazes de obedecer a Deus. Essa incapacidade é física e intelectual, não volitiva. Todavia seu extremismo na compreensão anula a intensidade do pecado, pois na verdade ele comprometeu todo o ser do homem.Temos muitas outras teorias que dissertam sobre a origem do pecado. Os Congregacionalistas entendem que herdamos a tendência e não a morte e nem o pecado de Adão. Há uma crença que diz que Adão e Deus fizeram um contrato, a chamada teoria da Condenação por Contrato. Já Agostinho acreditava que Deus imputou imediatamente o pecado de Adão na raça.Diante desta respeitadas conceituações vemos em Calvino uma maior proximidade da verdade. Para Calvino nós herdamos a natureza e a culpa do pecado de Adão. Viemos dele porque estávamos nele, logo, nós pecamos quando Adão pecou e suas conseqüências atingiram também a nós porque estávamos nele. Agostinho concordava com este parecer de Calvino.       
c)    FonteA fonte é o que levaria o homem a pecar. Além da origem do pecado, sua fonte também nos chama a atenção e nos inquieta diante de vastas teorias. Eis algumas delas:
Ø  Para Frederick Tennant a origem do pecado é sua natureza animal;
Ø  Para Reinhold Neiburh é a ansiedade causada pela finitude;
Ø  Paul Tilich pensava que era a alienação existencial do fundamento;
Ø  A Teologia da Libertação acredita que é a luta econômica;
Ø  Para Harrison Sacket Elliot é a competitividade individualista;
Ø  Porém a Bíblia diz que a natureza pecaminosa e as forças malignas induzem o homem ao pecado.
Em todas estas observância vemos algo em que todos concordam, principalmente a Bíblia, que o pecado está intrinsecamente ligado ao egoísmo, ao desejo do homem em se satisfazer, e deste não se aparta quem vive no pecado.Para prova do fato que o pecado é essencialmente egoísmo, insistimos nas seguintes considerações:
 
(1) Na apostasia dos últimos dias está dito que "homens serão amante de si mesmos" e também "amantes dos prazeres antes que amantes de Deus" ( 2 Timóteo 3:2,4).
(2) Quando se revelar "o homem do pecado", ele será o que "se exaltará contra tudo o que se chama Deus" ( 2 Timóteo 2:4).
(3) A essência da Lei de Deus é amar a Deus supremamente e aos outros como a si mesmo. O oposto disso, o supremo amor de si mesmo, deve ser a essência do pecado. Mateus 22:37-39.
(4) A apostasia de Satã consistiu na preferência de si mesmo e de sua ambição egoística a Deus e Sua vontade. Isaías 14:12-15; Ezequiel 28:12-18.
(5) O pecado de Adão e Eva no jardim surgiu de uma preferência de si mesmo e de sua autogratificação a Deus e Sua vontade.  
(6) A morte de Abel por Caim foi incitada pelo ciúme, o qual é uma forma de egoísmo.
(7) O egoísmo é a causa da impenitência do pecado. Deus mandou que todos os homens se arrependam em toda a parte. Recusam os homens fazer isso porque preferem seus próprios caminhos à vontade de Deus.  
d)    ConsequênciasO pecado causou e ainda causa danos terríveis a humanidade. Talvez se o homem pensasse em suas conseqüências jamais pecaria. A depravação foi completa. O homem ficou isento da justiça original. As conseqüências do pecado são muitas. Começamos pelo desfavor divino, nesta o homem traz para si a inimizade de Deus “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” Tiago 4.4, e ainda Oséias 9.15 “Toda a sua malícia se acha em Gilgal, porque ali os odiei; por causa da maldade das suas obras lançá-los-ei para fora de minha casa. Não os amarei mais; todos os seus príncipes são rebeldes”. A culpa é outra conseqüência do pecado. Quando peca um sentimento de culpa aflora no coração do homem o impedindo de ser feliz, pois sabe o que é certo e o que é errado. Em Romanos 1.20 Paulo nos mostra: “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;”.  O pecado uma vez consumado gera a morte, ou seja, uma outra conseqüência do pecado é a punição. Pelo quem Ele é, e pelo que o pecado é, Deus tem que punir o pecador por seu pecado, pois Deus é Santo e o pecado é rebeldia contra Ele. Em Jeremias 46.10 vemos: “Porque este dia é o dia do Senhor DEUS dos Exércitos, dia de vingança para ele se vingar dos seus adversários; e a espada devorará, e fartar-se-á, e embriagar-se-á com o sangue deles; porque o Senhor DEUS dos Exércitos tem um sacrifício na terra do norte, junto ao rio Eufrates”. Deus puni por sua natureza, Ele é puro, não pode negar-se a si mesmo.Uma outra conseqüência do pecado é a morte. A palavra morte significa “separação”. Logo, temos três tipos de mortes:
·         Morte Física: separação entre a alma e o corpo. “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” Hebreus 9.27 e em Gênesis 3.19: “No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.” Outro ponto de divergência ocorre aqui, porque para Calvino o homem sofreu esta morte justamente por causa de seu pecado, mas para Pelágio o homem já foi feito para morrer mesmo antes de pecar. A interpretação de Calvino mais uma está mais próxima da verdade Bíblica.
·         Morte Espiritual: é a separação do homem de Deus aqui na terra.  O homem perde a semelhança moral que tinha de Deus. Há corrupção nos poderes dados ao homem. Ele está no pecado, logo esta morto, separado de Deus. Longe de Deus ele sofre todas as demais e terríveis conseqüências. Romanos 6.4 diz: “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida”. O texto se refere ao homem longe de Deus, morto para Ele.
·         Morte Eterna: esta é a morte definitiva. O pecador morre na carne, 1ª morte, morre espiritualmente no seu pecado não buscando a Deus, e consequentemente morre definitivamente, a 2ª morte. Agora para a eternidade será o seu castigo e sua inexistência. Em Apocalipse 20.14 lemos: “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte”. e)    Efeitos O homem é culpado pelo pecado quando aceita a natureza corrompida e peca. Uma vez que o pecado já está dentro do homem, ele então dirige este homem ao erro, ou seja, o pecado é consumado. Quando o pecado é consumado naturalmente ele exerce seus efeitos sobre o pecador. Muitos são seus efeitos, terríveis e para o homem insolucionáveis. Vejamos alguns deles:   
I.       
Escravidão – o homem passa a ser escravo do pecado, pois o pecado agora faz parte de seu habito. O homem não tem mais liberdade, não tem mais vontade própria. O pecado o domina;   
II.       
Fuga da Realidade – engodado pelo pecado, num beco sem saída, a única solução é fugir da realidade. Quando isso acontece a desvalorização da vida e das coisas importantes da vida são inevitáveis. Logo, o homem se encontra longe dos propósitos de Deus;  
III.       
Negação do Pecado – ao deparar com seu estado, o homem então busca uma justificação. Ele nega o pecado, pois sabe muito bem que o cometeu e que este pecado é algo que trará para ele sérios malefícios (Rm 1.19); 
IV.       
Auto-Engano – Além de querer se justificar diante do outro, o pecador irá tentar se convencer de que não tem pecado, que ele é bom. Ele legaliza o crime. Ele justifica a si mesmo. Na verdade ele não pode fazer isso pois o pecado não foi apenas contra ele, mas principalmente contra Deus;  
V.       
Insensibilidade – Preso no pecado, o homem vai então se fechando contra toda palavra contrária a ele. Um abismo chama outro abismo, é o que nos diz Salmo 42.7. Ele se fecha de tal maneira que se torna insensível à voz de Deus;  
VI.       
Egocentrismo – Como o pecado está ligado ao prazer, através dos sentidos, o egocentrismo é um efeito natural do pecado. O homem passa a pensar só nele;
VII.        Inquietação – O homem é atraído pelo prazer que o pecado promete proporcionar, mas na verdade o pecado não dá nenhum real prazer ao homem. Assim, ele se torna insatisfeito com tal e sua inquietação aumenta pois não há satisfação completa de seu ser.Estes efeitos estão relacionados apenas com o pecador, mas os efeitos do pecado se estendem em todas suas relações. Veja:
ü   Competição“De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis” Tiago 4.1 e 2. A competição passa a fazer parte do relacionamento do homem. Ele quer ser melhor do que o outro. Outro exemplo bem claro é o homicídio na Éden onde Caim mata seu irmão;
ü   Imcapacidade De Ser Empático – O homem se torna indiferente às pessoas e às circunstância. Ele agora é mau. Em Filipenses 2.4, Paulo nos mostra um exemplo que deveria ser seguido pelo homem pecador: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros”.
ü   Rejeição da Autoridade – O homem agora é dono de seu próprio ser, ele é livre, pelo menos é o que ele pensa. Assim, ele rejeitará qualquer suposta autoridade que venha sobre ele. Agora ele é rebelde, desobediente.
ü   Incapacidade de Amar – Por fim o homem se torna incapaz de amar. Ele não tem forças e nem desejo de amar, pois o amor está do outro lado e para lá ele não pode ir.O pecado é uma questão séria, seus efeitos se alastram e afetam nosso relacionamento com Deus, com nós mesmos e com as outras pessoas. Por conseguinte, exigirá uma cura com efeitos igualmente abrangentes.                                                  2.   O Cordeiro de Deus
a)    PropósitoO propósito de Deus para a humanidade é perfeito, bom e agradável. O propósito é salvar sua Criação das garras de Satanás, salvar da morte e da condenação. Este é o objetivo dos planos de Deus, e para isso Ele fará de tudo para conseguir.Havia uma justiça a ser vindicada e um amor a ser revelado. Deus queria perdoar, trazer de volta o homem que criou e que amou. O objetivo ao perdoar era ter comunhão com o homem. Fazer uma nova aliança. Esta abrangeria todo homem do homem todo. Completamente eficaz diante do dano do pecado.
ü  Natureza de CristoÉ pela Sua natureza que Deus nos condena, mas é pela mesma natureza que Ele decide voluntariamente sofrer a punição e nos redimir para junto dele. Deus não é limitado como o homem. Deus sabe de todas as coisas e nada escapa de seu controle, nem a queda do homem. Em seus planos, Deus também não falha, é preciso, seu plano então é perfeito, cabe a nós tentarmos entender, pelo menos o máximo possível, esta harmonia.Como vimos, para salvar o homem alguém teria que sofrer a punição. Se foi um homem que causou a queda, nada mais correto de também um homem, um da raça, sofrer a punição. Daí entendemos a natureza humana de Jesus. Ninguém poderia sofrer a punição se não fosse homem (RM 5). Em contrapartida vemos que Deus não poderia pegar um homem e depositar nele toda sua ira, sua sentença, pois o sacrifício deveria ser perfeito, o cordeiro deveria ser o de maior valor, além do mais, tal seria o religador do homem pecador ao Deus Santo. Daí a natureza divina de Jesus e a solução encontrada por Deus foi sua encarnação, o Deus-homem, que viria para religar o homem a Deus.Em Cristo, Deus queria retomar o relacionamento com o homem. Isaque é o exemplo mais claro disso. Isaque era o único filho de Abraão, a quem Abraão mais amava, o herdeiro. Deus pediu Abraão seu filho e Abraão iria dar. Da mesma forma Jesus era o único filho de Deus, a quem Deus mais amava, o herdeiro de tudo, e da mesma forma Deus se prontificou a dá-lo em favor da aliança. As duas histórias porém terminam bem diferentes, se em Moriá Abraão ouviu uma voz do céu dizendo “Não faças nenhum mal ao menino”, no calvário Jesus olhou pra cima e Deus lhe virou o rosto. Se no calvário Deus providenciou um cordeirinho para o holocausto, no calvário ele era o cordeirinho, a providência de Deus substituindo o homem na cruz.Vemos em Jesus o ápice da revelação. A parte mais admirável da teologia. Jesus se considerava igual ao Pai e possuidor do direito de fazer as mesmas coisas que apenas Deus tem o direito de fazer. Contudo Ele se esvaziou, abriu mão do exercício de seus atributos naturais. Cristo nos mostra que podemos conhecer a Deus, que podemos ser redimidos. Em Cristo Deus e a humanidade foram religados.Esse homem chamado Jesus é o modelo que podemos seguir. Sua humanidade nos prova que Deus não é totalmente transcendente. Para Jesus ter uma atitude suas duas naturezas precisavam concordar, por isso, não podemos dividi-lo, ele era completamente Deus e completamente homem.  Mas como entender que Jesus era homem se não tinha pecado, já que RM 3.23 diz que todos pecaram, a luz de I Jo 3.5 vemos a resposta. Alguns teólogos entendem que a natureza humana de Jesus não era a mesma natureza do homem pecador, mas a de Adão, antes da queda, a idéia era de que Jesus deveria estar nas mesmas condições de Adão para reconciliar o irreconciliável, pelo menos para os homens. Assim, vemos que Jesus não era humano como nós, mas mais humanos do que nós.   
Expiação           
De acordo com a visão sociniana a expiação de Cristo é o exemplo sobre o qual devemos pautar nossas vidas (I Pe 2.21). 
           
Uma outra visão é a influência moral, onde Deus nos constrangiria demonstrando seu pleno amor por nós sem sermos merecedores de tal. 
           
A terceira visão de expiação fala sobre uma expiação governamental, uma expiação para demonstrar a justiça divina (Is 42.21).
           
A quarta é a do resgate. Neste e expiação seria como vitória sobre as forças do pecado e do mal. Uma pergunta surge aqui: O resgate seria pago a quem? A Deus ou a Satanás? Alguns pensam que a Satanás pois o homem estava nas suas mãos, sobre o seu domínio, outros acham que foi pago a Deus pois Ele é o Senhor de tudo.
           
A última visão que nos ajuda a entender a expiação e a idéia da satisfação. Foi feita uma compensação do Pai. Popularmente é conhecida como visão comercial.
 
b)    ObraOs estágios da obra de Cristo nos ajudam a entender o grande ato de Deus. A humilhação foi o estágio em que Deus se humilhou ao tomar a forma humana. Ele se limitou, mas não deixou de ser Deus, é como se um corredor de alto potencial amarrasse sua perna em uma de um corredor de baixíssimo nível, ele teria uma grande capacidade, mas completamente limitado ao corpo inferior. Se humilhou ainda mais na sua morte, pois não tinha pecado, não morreria, ele se entregou para sofrer a punição, o ato foi substitutivo e completamente voluntário. Depois deste estágio veio a exaltação, na verdade este é o primeiro e o último (terceiro), ele era exaltado, se humilhou, só se humilha que é exaltado, e depois foi novamente exaltado, e isso aconteceu primeiro na ressurreição, depois na ascensão e sua última na sua segunda vinda. Neste estágio, Jesus ganha um corpo glorificado, todo especial. 
c)    Funções        
I.       
Profeta – como profeta sua função era revelar Deus, mostrar a vontade do Pai. Jesus exerceu esta função desde a eternidade (Jo 1.9). Na encarnação ele continua com a função, após sua partida deste mundo com a Igreja através do Espírito Santo e até na eternidade Ele ocupará esta função (I Cor 13.12);      
II.       
Sacerdote – nesta função Jesus reconcilia o homem com Deus. A expiação feita por Ele tornou isso possível, o que jamais o homem poderia fazer;     
III.       
Rei – aqui Jesus tem por sua tarefa governar todo o universo. Começou junto a seu ministério (Is 9.7, Sl 45.6). Por enquanto é parcial, mas um dia será completo (Filip 2.9). d)    O CordeiroOs hebreus tinham o costume de matar um cordeiro em sacrificio a Deus, para remissão dos pecados. O sacrifício de animais era frequente entre vários grupos étnicos, em várias partes do mundo. Na Bíblia é referido, por exemplo, o caso de Abraão que, para provar a sua fé em Deus teria de sacrificar o seu único filho, imolando-o e queimando-o numa pira de lenha, como era costume para os sacrifícios de animais - o relato bíblico refere, contudo, que Deus não permitiu tal execução. A morte de Jesus Cristo, considerado pelos cristãos como filho unigênito de Deus, tornaria estes sacrifícios desnecessários, já que sendo considerado perfeito, não tendo pecado e tendo nascido de uma virgem por graça do Espírito Santo, semelhante a Adão antes do pecado original, seria o sacrifício supremo, interpretado como o maior acto de amor de Deus para com a humanidade.Jesus em João 1.29 é qualificado como cordeiro de Deus. O texto diz que Ele é o cordeiro e não como o cordeiro. O cordeiro de Deus aparece apenas duas vezes no NT. É o suficiente para nos mostrar o valor do ato revelatório de Deus. No AT outro texto nos mostra com bastante clareza o benéfico ato: “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” Isaías 43.4 e 5. A interpretação dos Cristãos atribui a profecia a Cristo, mas os judeus entendem que a nação Israel. A páscoa não estava longe, por isso, outra comparação de cordeiro seria com o cordeiro pascal “Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias mapa. E estava próxima a páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém” João 2.13. O cordeiro referido por João Batista é então a união de Isaías 53 e Êxodo 12. “E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos” Apocalipse 5.6 (líder).“Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima”. Apocalipse 7.17     
No AT o sacrifício era anual, puro, perfeito, completo, satisfazia, acalmava os corações, trazia conforto, paz, bençãos e favor divino.O sacrifício era necessário porque a santidade de Deus tornou-o necessária, o sacrifício era necessário porque o amor de Deus tornou-o necessário, era necessário porque o pecado tornou-o necessário. No ato sacrificial do cordeiro destacamos o que esta não era:
·         O sacrifício não era um acidente
·         O cordeiro não era um mártir
·         A influência não era apenas moral
·         Não era uma atitude governamental de Deus
·         Não era apenas uma demonstração de amorTemos ainda que o sacrifício era:
·         Predeterminado – a cruz não foi um acidente, uma surpresa no caminho de Jesus. Era algo belissimamente arquitetado, brilhantemente planejado;
·         Voluntário – Jesus não foi obrigado para a cruz, mas de vontade própria, suas duas naturezas concordaram com tal entrega. Nínguém crucificou o Cristo, Ele se deu;
·         Vicário – Não em favor dele mesmo, mas em favor dos outros em troca de nada;
·         Sacrificial – Como holocausto pelo pecado. Ele é tanto a oferenda como o ofertante;
·         Expiatório – Nesta, a intenção era apaziguar, trazer a paz. Era eficaz pois removia a culpa;
·         Propiciatório – Seu sentido é cobrir, levar ao esquecimento. Assim, tornar favorável “e dos teus pecados não me lembro” Isaías 43.25b; ·         Substitutivo – O castigo era nosso pois nós é quem transgredimos. Ele nos substituiu: “Cristo morreu nossa morte para que nós pudéssemos viver sua vida” Desconhecido;
·         Redentor – Resgatando mediante a um pagamento. Este pagamento foi feito a Deus e não a Satanás. Nos redimir. Este é o propósito de Deus. Nos dar uma vida na plenitude em que Deus nos criou “eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” João 10.10. O cordeiro era perfeito nas duas naturezas. Era o Deus-homem. A natureza humana para morrer e a divina pagar nossa dívida. O cordeiro, na verdade, pagou uma dívida que não fez. Ao olhar para Cristo, o cordeiro, nos deparamos com seu estado. Vimos que Cristo estava exaltado, se humilhou, e novamente voltou para seu estado de exaltação, glorificação. Neste tema, o cordeiro se encaixa na humilhação, mas que sua influência é tão grande que influe na eternidade, tanto na criação em Gênesis, como na consumação dos tempos em Apocalipse.Nos ofícios de Cristo o cordeiro se mostra como sacerdote, nosso intercessor. O cordeiro nos mostra que o Deus Santo ama o homem pecador, que o grande preço só pôde ser pago por Deus, foi perfeito satisfazendo as exigências da Lei e que Cristo sofreu em nosso lugar Heb 9.
1.      
Gênesis 3:21 . Um cordeiro por pessoa. No Édem Deus matou um animal para vestir nossos primeiros pais.
2.          
Êxodo 12:3-4 . Um cordeiro por família. Na noite da Páscoa, um cordeiro para mais pessoas, uma família.
3.          Levítico 16:15-16 . Um cordeiro pela nação. No monte Sinai Deus orientou que um cordeiro deveria ser morto pela nação
4.         João 1:29 . Um cordeiro pelo mundo inteiro. Antes de Jesus iniciar seu ministério, João Batista anúncio o cordeiro. Este cordeiro vem para sofrer e pagar nossos pecados. Suou sangue. - Lucas 22:44 Foi amarrado, açoitado e coroado com espinhos - Mateus 27: 2,26,29; Foi espancado na cabeça. Mateus 27:30; Carregou a cruz. João 19:17; Foi crucificado. João 19:18; Teve sede. João 19:28; Tanto sofrimento que perdeu a beleza física. Isaías 53:2.  
e)    De DeusO Cordeiro apresentado no tema é de Deus. No texto bíblico que se encontra em João 1.29, no grego está no genitivo, que dá idéia de posse, ou seja, o cordeiro era de Deus, Ele é o dono, o cordeiro é propriedade Dele. Uma outra interpretação que não anula mais alimenta o significado do cordeiro ser de Deus é que ao mesmo tempo é oferecido a Ele, Deus. O cordeiro de Deus veio no tempo certo, na “plenitude dos tempos”, como nos diz Paulo aos gálatas, no tempo certo tanto negativo como positivamente. Negativamente quanto a depravação do homem no pecado e positivamente quanto ao processo da revelação e do desenvolvimento humano. A obra de Deus teve interesse até...
Ø  dos anjos: “Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar” I Pedro 1.12.
Ø  de Moisés e Elias: “E eis que estavam falando com ele dois homens, que eram Moisés e Elias, os quais apareceram com glória, e falavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalém” Lucas 9.31 e 31. 
f)     EfeitosO maior efeito do sacrifício de Cristo não é que nós voltamos a Deus, pelo contrário, é Deus quem se volta a nosso favor. “Sendo pois justificados pela fé temos paz com Deus” Romanos 5.1. A justiça de Cristo chega até nós pela fé, ele não apenas morreu em meu lugar, mas comigo. Na cruz nós nos casamos (I Jo 4.10). Sua morte proveu reconciliação, expiação e propiciação.            
Não podemos ainda entender com exatidão todos os efeitos do sacrifício do cordeiro de Deus. Vai muito mais além do que possamos imaginar. Não podemos porque é único, e o que é único é incomparável.  O cordeiro assemelha-se ao Tsunami, único, no qual não podemos entender,vemos apenas as grandes conseqüências.
Quando o pecador recebe a Cristo como seu Salvador, ele reconhece seu estado, sua incapacidade diante das coisas da vida, que o que Cristo fez foi por ele e se entrega a Cristo, muitos efeitos surge na sua nova vida:
q  Paz – o Cordeiro nos traz a paz que tanto sonhamos. Que queríamos achar em outros lugares mas só Nele a temos. O complexo de culpa vai embora e nada mais nos oprime, porque temos a paz que o Cordeiro deixou. Uma paz que independe do mundo, esta paz está por que Ele se faz presente;
q  Obediência – se antes vivíamos entregues a desobediência, incapaz de obedecer a Deus, em Cristo somos capazes a obedecer a Deus, graças pois a Ele.
q  Amor – No pecado nunca poderíamos amar, aos outros, a Deus e nem a si mesmo, pois o pecado aprisiona. O Cordeiro nos deu seu amor e nos ensinou a amar;
q  Companheirismo – fomos unidos na cruz de Cristo. O sacrifício do Cordeiro nos fez sermos o que éramos no Édem, uma sociedade. Seres humanos com tudo em comum, vivendo sem competição e promovendo o bem estar de todos; 
q  Liberdade – se o pecado nos aprisiona, o Cordeiro veio nos libertar de todo pecado e de toda as suas conseqüências. Podemos escolher agora o que queremos, mas antes só podíamos escolher o mal. Agora somos livres e nos sentimos filhos de Deus;
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