Thiago Soares da Rocha

CRIACIONISMO - 1
17 Ago 2010 - 20:30:03

1.1. Criacionismo

           Estateoria é na sua base defendida pelos religiosos e teólogos. Todavia, muitoscientistas têm descoberto nela uma resposta mais clara quanto ao problema daorigem do homem. No criacionismo temos duas ramificações, o criacionismobíblico e o criacionismo científico. A pesquisa se limitará ao criacionismobíblico tendo em vista seu objetivo de chegar a um conclusão ética do assuntoem pauta.

  

1.1.1. Origem

         Talveza principal dificuldade em relação ao criacionismo bíblico seja a simplicidadede suas explicações. Simples, mas não simplória ou irracional. A teoria dacriação absoluta do homem por Deus é uma das teorias mais antigas e respeitadasde todo o mundo. Sua base principal é a Bíblia, livro sagrado. Esta, é semdúvida a bússola daqueles que professam a fé em Deus, e não um simples“brinquedo”.

               Povosantigos como os sumérios e os mesopotâmicos já falavam da divina criação antesmesmo de Moisés escrever o Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, no qual há orelato da divina Criação. Este fato dá credibilidade antropológica aocriacionismo.

               Tudoindica que a Bíblia, especificamente, o livro de Gênesis, foi ao mesmo tempoescrita baseada em conceitos da época, como também influenciadora dos costumese práticas dos homens. Muitos pensam que Moisés, escritor do Gênesis, fora naverdade um ignorante que aproveitara a inocência dos hebreus e que não tinhanoção da verdade dos fatos. Diferente do que muitos pensam, Moisés era umgrande erudito que, inspirado por Deus, escreveu os cinco primeiros livros daBíblia, denominados Pentateuco. Mesquita afirma sobre Moisés.

                

Hojese sabe que Moisés sabia escrever, e até se afirmar que ele foi o inventor doalfabeto, o que por muitos anos foi creditado aos fenícios. Podemos afirmar queos fenícios receberam o alfabeto dos midianitas, onde Moisés morou por 40 anos,e que os primeiros traços do alfabeto encontram-se nas ruínas do templo deSerabite, no Monte Sinai.[1]

 

  A Bíblia é sem dúvida agrande base, não a única, do criacionismo. O relato de Moisés não aborda apenasa inspiração divina. Tudo indica que Moisés recebera de uma fonte pura suacosmogonia, sua afirmação sobre a origem do universo, enquanto as caldaicas,chinesas, egípcias, assíria, gregas e etc, se originaram basicamente dacosmogonia mosaica. Isto significa que não existe apenas a visão do Gênesispara a Criação, mas também visões de outras culturas, que dela surgiram. Ocriacionismo então é comum nas mais antigas e genuínas comunidades.

  

1.1.2. Definição

  Teólogos depois de acuradainvestigação, trazem várias e consideradas definições. Champlin define ocriacionismo como, “primeiro ato mediante o qual Deus auto-existente trouxe àexistência o que não tinha forma de existência independente”. [2] Abou-Rhamenos mostra sua definição sobre a teoria: “O Criacionismo diz que todos os tiposbásicos de animais e vegetais foram criados por Deus usando processos criativosespeciais que não estão operando hoje”.[3]

            Algumas objeções aparecem tentando acusar a teoria pelafalta de provas científicas. Para muitos, como Champlin, por exemplo, “ocriacionsimo é uma questão de fé, e não de ciência”.[4] Pareceentão haver uma distância enorme entre o criacionismo e o evolucionismo.

O assunto é complexo eprofundamente estudado por teólogos, cientistas e filósofos. Todos buscamencontrar a verdade, uma prova ou uma idéia que comprove tal definição. Em 1802Willian Paley escreveu a “teoria do relojoeiro”, que dizia que seencontrássemos um relógio no chão pensaríamos que aquilo não era produzido porprocessos naturais, mas sim por um criador, assim como as espécies. Assim comoesta, muitas idéias foram formadas para defender a idéia da Criação de Deus.

 

 1.1.3.  Teorias sobre a Criação

  A Criação é o assuntopilar de todas as religiões. Para a maioria delas o mundo foi produzido poralguma força cósmica ou divina, com base a um estado anterior. Este estadoanterior poderia ser o caos já com a matéria pré-existente e desorganizada, ouo próprio vácuo. As religiões mais antigas preferem a idéia do caos. Os gregospensavam na matéria pré-existente que posteriormente fora organizada.

            Dentro da doutrina criacionista, muitas hipóteses sãoentão levantadas. As idéias variammuito. As várias teorias compreendem:

 a)          SubstânciaOriginal – esta substância é indefinida e desconhecida. A partir dela surgiram,através da condensação e da rarefação, os 4 elementos essenciais à vida: a terra,o ar, o fogo e a água. Na defesa desta teoria temos o filósofo gregoAnaximandro (550 a.C.),pai da teoria evolucionária. Todavia, a água não pode oferecer o meio ambientenecessário para tal desenvolvimento;

 b)          Eternidadeda matéria – parte da idéia do hilozoísmo onde a vida faz parte inerente amatéria. Para alguns este elemento seria indefinido, para outros, conhecido eainda discorrido na idéia das causas;

 c)           SubstânciaEspiritual – Platão aceitava este ensinamento. O espírito seria de posiçãoprimária, ao passo que a matéria seria uma imitação da espiritualidade;

 d)          ACriação Como Um Ato Eterno De Deus – Apoiada por Orígenes, um dos pais daigreja cristã, esta teoria ensina que a vida seria coexistente com Deus. O queveio a existência seria a forma e o tipo;

 

e)          ACriação Como Pensamento Eterno De Deus – Clemente foi o seu mais famosodefensor, diz a teoria que a criação nem sempre existiu, mas sempre fez partedo pensamento de Deus;

 f)            ACriação “Ex Nihilo” – Nesta, Deusteria criado tudo do nada. Apenas Deus existia. A vida humana teria sido criadapor um ato especial, da matéria já existe, para em seguida receber a infusão doprincípio espiritual;

 g)          Panteísmo– Deus não cria, e sim emana. Logo, toda matéria teria parte de Deus e Deusestaria em toda matéria;

 h)          Eternidadeda Matéria – Ela existia em forma de caos. Aqui, Deus não teria sido Criador,mas organizador;

 i)            OPonto De Vista Do Ceticismo – acredita que é impossível solucionar o problemada criação;

 

j)            OPonto De Vista Neotestamentário – Cristo foi o agente criador, e criou nele epara Ele todas as coisas.

  Algumas consideraçõesdevem ser feitas aqui. A Bíblia em Hebreus 11.3 diz que pela fé, não pelasprovas científicas, cremos que Deus criou e como criou: “Pela fé, entendemosque foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veioa existir das coisas que não aparecem”. [5]Champlin comentando este versículo fala que Deus criou todas as coisas a partirdas imateriais, nunca “do nada”. No estilo de Filo esse versículo teria umaperspectiva platônica. Platão pensava na existência como trabalho do Demiurgo.No cristianismo a idéia foi a mesma, mas outras palavras foram usadas. Osuniversais (coisas eternas, céu), por exemplo, no cristianismo corresponde amente divina. Os teólogos modernos supõem que Deus transformou sua própriaenergia emmatéria. Para Champlin esta hipótese “substitui corretamentea idéia da criação ex nihilo”. [6] Deacordo com o conceito bíblico, no princípio, só Deus existia.

A Criação “do nada” emlatim “ex nihilo”, é, todavia o pontode vista tradicional cristão, em contraste com a idéia grega da reforma damatéria previamente existente.

Pouco se sabe do como ascoisas surgiram. Muitos teólogos divergem-se a respeito da origem das coisas.Champlin declara neste ponto.

 

Ateologia explica melhor o porquê da criação, e não o como. E a ciência, por suavez, não faz idéia sobre esse como da criação. E isso significa que temos deconfessar a nossa ignorância sobre esse ponto.[7]

 

 

 Kidner comenta taisdúvidas.

 

(...)quando parece difícil harmonizar o revelado com o observado, é porque sabemosde menos, e não demais (...) O que estes capítulos esclarecem muito bem, (...)é a doutrina de que a humanidade constituiu uma unidade, criada a imagem deDeus, (...) pode-se pensar com esta discussão toda permite que a ciênciacontrole demais e exegese. Esta seria uma grave acusação. [8]

 



[1] MESQUITA, Antônio Neves. Povos e naçõesdo mundo antigo. 7 Ed. São Paulo: Hagnus, 2001, p. 21.

[2] CHAMPLIN, Russell Norman &BENTES, João Marques. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. 4. Ed.São Paulo: Candeia, 1995, Vol. I, p. 954.

[3] ABOU-RAHME, Farid. E Disse Deus... ACiência Confirma a Autoridade da Bíblia. Trad. Andrew e Ronald Davidson.Pirassurunga: Shalom Publicações, 2000, p. 34.

[4]CHAMPLIN, Russell Norman. BENTES,João Marques. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. 4. Ed. SãoPaulo: Candeia, 1995, Vol. II, p. 611.

[5] SHEDD, Russell Philip. BíbliaShedd. São Paulo: Vida Nova, 2005.

[6] CHAMPLIN, Russell Norman & BENTES,João Marques. Vol. I. Op. Cit., p.951.

[7] CHAMPLIN, Russell Norman &BENTES, João Marques. Vol. I. Op.Cit., p. 954.

[8] KIDNER, Derek. Gênesis. Introduçãoe Comentário. Trad. Odayr Olivetti. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão,1991, p. 29.

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